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Totalitarismo

    O termo totalitarismo refere-se a uma concepção política que exalta o Estado, a nação ou uma classe social, às quais o indivíduo deve estar totalmente submetido, vale dizer, todos os aspectos de sua vida privada passam para um segundo plano, imolando-se o indivíduo no altar do coletivismo grosseiro. Daí o argumento de Adolf Hitler, inspirador do totalitarismo nazista: "... a missão principal dos Estados Germânicos é cuidar e pôr um paradeiro a uma progressiva mistura de raças. A geração dos nossos conhecidos fracalhões de hoje naturalmente gritará e se queixará de ofensa aos mais sagrados direitos dos homens. Só existe, porém, um direito sagrado e esse direito é, ao mesmo tempo, um dever dos mais sagrados, consistindo em velar pela pureza racial, para, defesa da parte mais sadia da humanidade, tornar possível um aperfeiçoamento maior da espécie humana. O primeiro dever de um Estado nacionalista é evitar que o casamento continue a ser uma constante vergonha para a raça e consagrá-lo como uma instituição destinada a reproduzir a imagem de Deus e não criaturas monstruosas, meio homem meio macacos. Protestos contra isso estão de acordo com uma época que permite qualquer degenerado reproduzir-se e lançar uma carga de indizíveis sofrimentos sobre os seus contemporâneos e descendentes, enquanto, por outro lado, meios de dividir a procriação são oferecidas à venda em todas as farmácias e até anunciados pelos camelôs, mesmo quando se trata de pais sadios" (Minha Luta, São Paulo, Editora Moraes, 1983, p. 252). Para o fascismo italiano - foi o próprio Mussolini quem criou o termo totalitarismo - o totalitarismo é concepção política francamente oposta à doutrina do cidadão abstrato, oriunda do liberalismo; daí as invectivas do Duce: "Antiindividualismo, a concepção fascista é para o Estado e para o indivíduo, à medida que este se harmoniza com o Estado, consciência e vontade universal de homem em sua existência histórica. E contrário ao liberalismo clássico, nascido da necessidade de reagir contra o absolutismo, que encerrou sua missão histórica e na vontade do povo liberalismo negava o Estado em favor do indivíduo; o fascismo eleva o Estado à condição da verdadeira realidade do indivíduo... Para o fascismo tudo está no Estado e nada humano nem espiritual existe e, a fortiori, nada tem valor fora do Estado.

    Neste sentido o fascismo é totalitário, e o Estado fascista; síntese e unidade de todo valor, interpreta, movimenta e domina toda a vida do povo". Quanto ao Estado socialista preconizado pelo marxismo-leninismo, é um organismo totalitário, sim, mas apenas na medida em que constituiu uma etapa necessária na marcha para o comunismo. Neste período transitório haverá uma ditadura de classe, o proletariado, até que, educado na doutrina marxistaleninista, o indivíduo esteja apto a viver numa sociedade comunista. Não se pense, sem embargo do exposto, que a idéia totalitária é recente, rebento do séc. XX. Já em Platão e Aristóteles encontram-se os germes da moderna doutrina totalitária, que muitos confundem com o termo totalitarismo, este, sim, criado por Mussolini. Em Aristóteles, p. ex., várias impostações do moderno Estado totalitário podem ser observadas em sua obra intitulada Política (Livro Primeiro, Capítulo II, Livro Sétimo, Capítulos I e XVI, e Livro Oitavo, Capítulo I). Salazar Mallén, Rubén, El Estado Corporativo Fascista, México, Facultad de Ciencias Políticas y Sociales, 1977; Touchard, Jean, História das Idéias Políticas, Publicações Europa-América, 7º v., 1976

Revista Realizada por Suelen Anderson - Acadêmica de Ciências Jurídicas em 02 de março de 2007


Referências e/ou Doutrinas Relacionadas:


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